Esta igreja guarda uma estátua milagrosa que os pescadores salvaram

No interior da Igreja Matriz de Alvor há uma imagem que, reza a lenda local, deu misteriosamente à costa, tendo sido recolhida e colocada com profunda reverência no altar pelos antigos pescadores. É a esta célebre e milagrosa escultura do “Senhor Jesus” que os fiéis ainda hoje prestam grande devoção.

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O grande destaque arquitetónico da Igreja Matriz de Alvor vai por inteiro para o seu pórtico principal. Esta autêntica joia de pedra é legitimamente considerada a mais bela e trabalhado expressão do estilo manuelino em toda a região algarvia.

A estrutura ostenta uma decoração exuberante, repleta de motivos detalhados e inspirados na fauna e flora locais, combinados com cenas bélicas expressivas e uma forte simbologia religiosa.

Erguido originalmente na década de 1520, o monumento afirma-se como o grande ex-líbris histórico desta vila do concelho de Portimão.

A sua construção decorreu sob os auspícios da influente família Ataíde, alcaides-mores da localidade, tendo sido muito provavelmente impulsionada por Álvaro de Ataíde (filho).

A história da edificação está profundamente interligada com as grandes dinâmicas da Coroa Portuguesa, tendo-se seguido à trágica morte do rei D. João II em Alvor, em 1495.

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Décadas mais tarde, em 1573, o jovem rei D. Sebastião visitou a localidade para inspecionar as casas outrora habitadas pelo “Príncipe Perfeito”.

Ao longo dos séculos, a gestão do templo cruzou-se com os grandes senhores da terra, desde os condes de Odemira até à poderosa família Távora — cujo condado em Alvor se extinguiu devido ao trágico processo político de Belém, no século XVIII.

Ao longo do tempo, a Igreja de Alvor resistiu a abalos sísmicos, incluindo os de 1755 e 1969, e passou por reconstruções setecentistas, com destaque para a torre sineira e o retábulo de Joaquim José Rasquinho.

Intervenções polémicas nos anos 1970 destruíram elementos originais, como o coro-alto, mas alertas do Museu Nacional de Arte Antiga, em 1977, travaram a destruição da talha dourada e imagens sacras.

Atualmente, a estrutura sobrevive como um testemunho de arte e resiliência, apesar da pressão urbanística.

Para além da famosa escultura e do portal, o interior da igreja guarda tesouros artísticos de enorme valor histórico, como altares em talha dourada, azulejos setecentistas e capelas particulares.

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