A história do Centro de Congressos de Lagoa tem contornos tão dramáticos que dava quase um guião de cinema.
Ao longo dos anos, este espaço já viveu várias vidas e foi batizado três vezes: nasceu como Pavilhão do Arade, transformou-se em Centro de Congressos do Arade e, hoje, assume a identidade de Centro de Congressos de Lagoa.

Inaugurado em 2008, o projeto começou como uma grande promessa para a região. Mas, o modelo de gestão falhou, os prejuízos acumularam-se e o imponente edifício converteu-se num autêntico “elefante branco”. O desfecho parecia fatal quando, em 2020, foi declarada a sua insolvência.
Seguiu-se o período mais negro da sua história. Abandonado à sua sorte, o imóvel foi alvo de constantes atos de vandalismo, pilhagens e degradação física.
Mas, num golpe de teatro, o Centro de Congressos renasceu nos últimos tempos. A Câmara Municipal de Lagoa decidiu avançar sozinha para o resgate, tendo-o comprado e recuperado.
Se a história do edifício é digna de um filme dramático, a do seu parque de estacionamento daria uma excelente comédia.
Este espaço plano e amplo que serve o centro esconde uma das maiores curiosidades geográficas do Algarve: está literalmente dividido entre duas freguesias. Uma parte do terreno pertence à freguesia de Ferragudo e a outra à União das Freguesias de Estômbar e Parchal.
Esta linha invisível no mapa dá origem a situações verdadeiramente caricatas.

O exemplo mais flagrante acontece durante as tradicionais Festas do Parchal. Devido à organização e disposição do espaço, os festejos desta vila acabam por ser montados… no lado do parque que pertence administrativamente a Ferragudo.
Esta “invasão” pacífica já se tornou uma piada recorrente entre os autarcas da zona.
O presidente da Junta de Ferragudo, sempre em tom de brincadeira, faz questão de avisar o seu colega da União das Freguesias de Estômbar e Parchal que, da próxima vez que a festa ali voltar, vai mesmo ter de lhe pedir uma autorização formal para ocupar o “seu” território.
Uma vizinhança unida pela cultura, pela burocracia do mapa e pelo bom humor algarvio.






