Os Mercados Municipais de Olhão são, oficialmente, uma das Novas 7 Maravilhas de Portugal.
A distinção foi atribuída por votação para o concurso televisivo com o mesmo nome.
Mas o que poucos saberão é que estes equipamentos foram erguidos sobre uma impressionante fundação de 88 estacas, escondendo-se, portanto, sob o solo o segredo da sua longevidade e imponente estrutura.
Esta inovadora técnica de bate-estacas, que ligou cada pilar através de arcos de alvenaria de tijolo, permitiu a consolidação ideal das edificações, tornando este complexo um dos principais postais ilustrados da cidade e um dos ex-libris mais fotografados da região olhanense.

Inaugurados em 1916, após quatro anos de obras iniciadas em 1912, estes edifícios icónicos afirmam-se há mais de um século como um local de paragem obrigatória para residentes e turistas. Todos os dias, centenas de pessoas cruzam as suas portas em busca do melhor peixe fresco, frutas e verduras, fundindo a azáfama do comércio tradicional com a admiração por um património histórico e cultural único no Algarve.
Do ponto de vista arquitetónico, o complexo constitui um exemplo modelar da arquitetura do ferro e do vidro do início do século XX, marcando de forma indelével a introdução de soluções construtivas modernas em Portugal. O projeto, dotado de um enorme impacto urbanístico, destaca-se pela sua clareza visual, funcionalidade e por uma abordagem vanguardista perfeitamente alinhada com as necessidades comerciais da época.
A nível estrutural, os Mercados apresentam uma planta longitudinal dividida em dois corpos retangulares de vértices arredondados: o Mercado das Verduras e o Mercado do Peixe. Ambas as alas exibem fachadas marcantes em tijolo aparente e estrutura metálica, sendo delimitadas exteriormente por quatro elegantes torreões circulares envidraçados.
Embora tenham sido submetidos a profundas obras de reabilitação no final do século XX — reabrindo ao público em 1998 com o seu aspeto exterior e integridade originais totalmente preservados —, os Mercados continuam a saber renovar-se. A prova disso é o seu interior, que recentemente foi forrado e enriquecido com painéis de azulejos pintados pelo artista Costa Pinheiro.
Unindo a robustez da engenharia centenária à delicadeza da arte contemporânea, os Mercados Municipais de Olhão consolidam-se como uma referência incontornável da arquitetura portuguesa.

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