Anichada entre arribas imponentes, a vila de Carvoeiro, no concelho de Lagoa, preserva no seu casario branco e na origem árabe do nome a alma de um antigo povoado de pescadores.

Hoje, este destino é um dos mais prestigiados do Algarve, tendo a sua praia sido eleita a melhor da Europa em 2018.
Mas o encanto desta localidade vai muito além do areal, estende-se falésia fora, num dos trilhos mais curtos e impressionantes da região.

A aventura começa no alto do Forte de Nossa Senhora da Encarnação, erguido por volta de 1670.
Situado a cerca de 100 metros acima do nível do mar, este baluarte foi outrora crucial para defender a costa e as armações de atum e sardinha dos ataques de piratas e corsários, que aproveitavam a época da secagem do figo para pilhar a região.
Do forte resta hoje a pequena ermida e a memória gravada na lápide sobre o portal.
Deste ponto histórico parte um passadiço de madeira com cerca de 600 metros que serpenteia sobre rochas com milhões de anos.
É um percurso onde o “tamanho não conta”, pois a cada passo a vista sobre o oceano oferece uma sensação única de liberdade.

A meio do caminho, o convite é para descer: entre degraus e túneis esculpidos na pedra, acede-se a uma paisagem cársica fascinante, com esculturas naturais e poças de água deixadas pela maré entre rochedos que têm até 24 milhões de anos.
O destino final deste passeio é o Algar Seco, um verdadeiro ex-líbris da costa algarvia. Neste monumento natural moldado pelo tempo, as formações rochosas criam janelas para o azul do mar e pequenas piscinas naturais.
É aqui que encontramos a famosa “Boneca” — uma gruta cujas aberturas parecem olhos abertos para o horizonte.

O nome, curioso, advém da forma que o topo da rocha exibia antigamente quando avistada do mar.
Com bancos esculpidos na própria pedra, a “Boneca” é o refúgio perfeito para descansar e contemplar o fim de uma caminhada inesquecível por um dos recantos mais mágicos de Portugal.

VÍDEO:







