O santo que nasceu em Lagos e se tornou o terror das tempestades

O grito perdeu-se no rugido da tempestade. À volta, a caravela desfazia-se contra os penedos e o mar engolia os homens de Lagos.

Casa onde terá nascido São Gonçalo

À beira do fim, sem forças, o jovem náufrago invocou o tio falecido anos antes. Foi então que o impossível aconteceu: das águas revoltadas emergiu um frade agostinho.

Caminhando sobre as ondas como se pisasse terra firme, o religioso agarrou a mão do sobrinho, puxou-o para a praia e sussurrou: “Eu sou o tio por quem chamaste”.

Esta é a lenda que imortalizou o Beato Gonçalo de Lagos como o eterno herói dos mares.

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Nascido por volta de 1360, mesmo junto às Portas do Mar, Gonçalo foi doutor em Teologia, pintor e compositor e liderou grandes conventos pelo país. Mas, para a sua gente, o seu verdadeiro trono sempre foi o oceano.

Adotado como Padroeiro pela Confraria do Corpo Santo, os pescadores algarvios viam nele o seu escudo contra a morte.

Os seus prodígios desafiaram a própria lógica. Mesmo após a morte, multidões acorriam ao seu túmulo para recolher “terra da sepultura”, um pó sagrado capaz de curar feridas e maleitas que a medicina da época dava como perdidas.

A 27 de outubro, dia do feriado municipal, Lagos não celebra apenas a história; celebra o seu padroeiro, um homem que, reza a história, trocou o conforto dos livros pela fúria das ondas para salvar os seus.

E é essa devoção que levou os seus habitantes a erguerem uma estátua em sua homenagem num dos locais mais nobres e visitados da cidade, com vista (naturalmente) sobre o mar e a Meia Praia.

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