Não se iluda com a beleza da cidade de Lagos. Ela é também um osso duro de roer. Que o diga quem, em determinada fase da história, a tentou conquistar e falhou redondamente.

Um dos que comprovaram a têmpera dos lacobrigenses e a eficácia das suas estruturas de defesa, em especial, as muralhas, foi o temível corsário britânico Francis Drake.
Em1587, numa altura em que Portugal estava sob o domínio espanhol, vindo de Cádis, onde destruíra mais de duas dezenas de navios inimigos, tentou desembarcar e saquear Lagos.

No entanto, a resistência local foi muito mais feroz do que previra.
Forçado a desistir, o corsário seguiu para Sagres, descarregando a sua frustração ao arrasar quase tudo o que encontrou entre o Porto da Baleeira e o Cabo de São Vicente.
Séculos mais tarde, durante as Guerras Liberais do século XIX, a cidade voltou a ser posta à prova pelo famoso Remexido, um temido guerrilheiro apoiante de D. Miguel.
Decidido a fazer Lagos render-se pela fome e pela sede, o Remexido montou um cerco implacável de um mês.
Posicionou canhões no Monte Moleão e no Cerro das Mós para bombardear a população, queimou os moinhos e destruiu o aqueduto.
Apesar do sofrimento imposto, os seus intentos falharam e, com a iminente derrota miguelista no Alentejo, viu-se obrigado a levantar o cerco, deixando finalmente a cidade em paz.


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