A insólita história do comboio que ia para Portimão mas deixava as pessoas no concelho de Lagoa… até a ponte ser construída

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Portimão e Lagoa são dois concelhos vizinhos separados pelas águas do Rio Arade.

Até ao século XIX, a ligação dependia exclusivamente de uma simples barca.

O isolamento terminou a 7 de julho de 1876 com a inauguração da Ponte Rodoviária de Portimão (Ponte Velha).

A sua construção deveu-se à influência do deputado Francisco de Bivar, que moveu cordéis políticos para garantir que a estrutura fosse erguida em Portimão e não em Silves. Para a financiar, propôs até um imposto sobre a lota de peixe.

A obra, que teve a primeira pedra lançada por Fontes Pereira de Melo, foi feita em treliça metálica com cerca de 300 metros de comprimento.

Nos primeiros anos, com o piso em madeira, a ponte servia de promenade para passeios públicos e concertos.

Após um longo restauro concluído em 2009, continua hoje a ser uma das principais vias de ligação entre a baixa de Portimão e o Parchal.

Se a estrada exigiu astúcia, trazer o comboio foi uma batalha monumental que implicou, até, um pedido direto ao rei D. Carlos I, em 1897.

Contudo, o custo para cruzar o Rio Arade era proibitivo. A solução encontrada foi caricata: como a ponte ferroviária era demasiado cara para a época, construiu-se a “Estação de Portimão” na margem oposta, na aldeia dos Cucos (atual Parchal).

Assim, durante quase duas décadas, quem viajava de comboio para Portimão era obrigado a desembarcar em solo de Lagoa.

O impasse terminou a 30 de julho de 1922, data em que a ponte e a nova estação foram finalmente inauguradas.

O comboio pôde enfim cruzar o Arade rumo a Lagos, impulsionando definitivamente o comércio, o turismo e a próspera indústria conserveira de Portimão.

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