No coração da zona histórica de Olhão, onde hoje se cruzam turistas de todo o mundo, ergue-se um monumento que conta a história de um povo que transformou a humildade em grandeza: a Igreja de Nossa Senhora do Rosário.
A sua construção, iniciada em 1698, é um verdadeiro testemunho da força da comunidade local. Na fachada, uma inscrição imortaliza a origem do templo: “À custa dos homens do mar deste povo se fez este templo novo, no tempo em que só haviam umas palhotas”.
O que começou como uma pequena capela de pescadores evoluiu para a atual Igreja Matriz, um edifício barroco de planta longitudinal que hoje domina a baixa da cidade.
Ao entrar, somos recebidos por uma nave única e imponente, onde se destacam cinco altares e uma capela-mor quadrangular coberta por uma cúpula oitavada. O interior é um tesouro de arte sacra, exibindo um retábulo e arco triunfal em talha dourada, obra do prestigiado entalhador Manuel Francisco Xavier. No teto, um fresco delicado e a imagem da padroeira, Nossa Senhora do Rosário, completam o cenário de devoção.
A fachada principal, reformulada na segunda metade do século XVIII com um impressionante coroamento triangular, é considerada uma das mais belas de todo o Algarve. Classificada como Imóvel de Interesse Público, a Igreja Matriz não sobreviveu apenas ao terramoto de 1755, mas tornou-se o símbolo máximo da identidade de Olhão, unindo o mar, a fé e a arquitetura barroca num só lugar.





