Esta igreja guarda um segredo macabro

A Igreja do Carmo, em Faro, ficou eternizada na história por ter sido o palco onde eclodiu a revolta da cidade contra o domínio francês, a 19 de junho de 1808, e onde se elegeu o Supremo Conselho de Regência do Reino do Algarve.

Outro dos seus maiores – e macabros – pontos de interesse situa-se no antigo cemitério anexo: a célebre Capela dos Ossos, erguida em 1816.

Sendo uma das apenas seis estruturas deste género recenseadas em Portugal, esta capela oitocentista de inspiração barroca impressiona pelo seu revestimento feito com os crânios e ossos de mais de mil monges carmelitas.

Para além deste forte legado histórico e místico, o templo destaca-se na paisagem urbana pelas suas imponentes torres gémeas.

Construída originalmente entre 1713 e 1719 pela Ordem Terceira de Nossa Senhora do Monte do Carmo, a igreja teve de ser reconstruída após o sismo de 1755, afirmando-se como um belo exemplar da arquitetura barroca em estilo D. João V.

No seu interior de nave única, o retábulo-mor, esculpido pelo mestre Manuel Martins, é considerado uma das grandes obras-primas da talha algarvia, enquanto o altar de São José assinala a transição pioneira para o estilo Rococó na região.

Esta riqueza estende-se aos tetos pintados – com brutescos de Clemente Velho na sacristia e uma pintura em perspetiva de José Ferreira da Rocha na capela-mor – e aos trabalhos de massa de Diogo Tavares e Ataíde no coro-alto e nártex, desenhados para criar um efeito de ilusão e surpresa típico do Barroco.

Por fim, painéis de azulejos no nártex deixam gravada a fundação do monumento pelo Bispo D. António Pereira da Silva e intervenções posteriores na balaustrada, datadas de 1875.

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