No topo de uma falésia em cunha, onde o Rio Arade se encontra com o Atlântico, ergue-se a Fortaleza de Santa Catarina. Mais do que um miradouro icónico na Praia da Rocha e de Portimão, este monumento é um testemunho vivo da estratégia militar que protegeu o sul de Portugal.

A sua origem remonta a 1621, em pleno domínio filipino. O engenheiro italiano Alexandre Massaii, após percorrer a costa, decidiu que este era o local perfeito para uma nova fortificação.
A estratégia era clara: criar uma linha de fogo cruzado com o vizinho Forte de São João do Arade, na margem oposta, fechando a porta a piratas, corsários e invasões marítimas que os velhos castelos medievais já não conseguiam travar.
Construída rapidamente, entre 1629 e 1633, a fortaleza integrou uma pequena ermida dedicada a Santa Catarina que já ali existia.
Embora o interior tenha sido profundamente alterado ao longo dos séculos, a fachada principal permanece como a grande herança do projeto original. Composta por três panos simétricos e uma porta de pedras almofadadas, esta entrada monumental ainda conserva a imponência da arquitetura militar filipina.
Curiosamente, o forte sobreviveu ao Terramoto de 1755, embora tenha necessitado de reconstruções importantes no final do século XVIII para recuperar a sua operacionalidade.
Ao longo do século XX, a fortaleza despiu a farda militar. As antigas baterias de fogo, que outrora apontavam canhões ao mar, deram lugar a um dos miradouros mais privilegiados do Algarve.

Classificada como Imóvel de Interesse Público, a Fortaleza de Santa Catarina serviu ainda como posto da Guarda Fiscal, Capitania e estação meteorológica. Atualmente, a sua base é um ponto de apoio direto à areia da Praia da Rocha, unindo de forma única o património histórico ao turismo moderno.
Nos últimos anos, a fortaleza degradou-se bastante, ao ponto de alguns dos seus muros estarem literalmente a cair aos pedaços (veja aqui como se encontrava).
Isso levou a que a Câmara de Portimão avançasse com uma intervenção urgente de reabilitação, enquanto prepara uma outra de maior dimensão, tendo como objetivo a valorização do monumento, com a criação de um núcleo do Museu de Portimão e de uma zona de restauração e bebidas.

Era este o aspeto degradado da fortaleza antes das obras:
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