Este castelo era o terror de corsários e piratas. Agora é casa de férias

Erguido sobre rocha maciça na margem esquerda do rio, o Castelo de São João do Arade (também conhecido como Forte de Ferragudo), no concelho de Lagoa é um sobrevivente que guarda as memórias do Barlavento algarvio.

Embora a necessidade de fortificar a zona tenha surgido durante o domínio filipino (século XVII) para travar os ataques de piratas e corsários do Norte da Europa, o projeto inicial gerou discórdia. Enquanto a Câmara de Silves defendia a construção em Ferragudo, especialistas como Alexandre Massaii preferiam reforçar a margem oposta, em Portimão.

O impasse só foi resolvido com a Restauração da Independência. Em 1640, a construção avançou e a urgência era tal que, a 2 de maio de 1644, D. João IV já nomeava o seu primeiro capitão: Francisco da Costa Barros.

A localização era privilegiada. Além da função militar – com capacidade de tiro sobre a barra de Portimão e duas baterias ativas até pelo menos 1821- o forte funcionava também como um posto aduaneiro. Todas as embarcações que navegavam rumo a Silves tinham de se registar perante a imponente silhueta deste “castelo”.

A sua construção foi tão robusta que, em 1755, o grande terramoto pouco ou nada afetou a estrutura, graças ao seu alicerce em rocha firme. Visualmente, o forte destaca-se pela sua planta trapezoidal e uma extrema verticalidade, desenhada para maximizar a visibilidade e intimidar quem chegava por mar.
Com o passar dos séculos, a função militar perdeu relevância, dando lugar a um lento abandono.

Em 1896, o monumento foi vendido em hasta pública, tornando-se propriedade particular e sendo, mais tarde, adaptado para residência de veraneio.

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