Situada no coração nobre de Portimão, junto ao rio Arade, a Casa Manuel Teixeira Gomes é um marco de profunda carga simbólica.
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É uma casa oitocentista discreta que, na face do Largo 1º de Dezembro, contrasta com a imponência do vizinho Palácio Sárrea.
De traça simples e piso térreo, o edifício é um exemplar autêntico da arquitetura do Sul, apresentando alçados caiados de branco, pilastras coloridas e as típicas janelas quadrangulares.
Propriedade da família Teixeira Gomes desde o século XIX, o portão de ferro ainda ostenta as iniciais de José Libânio Gomes, próspero comerciante de frutos secos.
Este portão dá acesso a um espaço alpendrado e a um jardim nas traseiras, elementos que uniam a vida urbana dos negócios de exportação de figo à fruição familiar ao ar livre. No interior, destacam-se as janelas em arco geminadas, os vitrais e a cozinha tradicional com a sua lareira original.
Mais do que pelo valor artístico, o imóvel é classificado pelo seu valor imaterial: foi aqui que nasceu, a 27 de maio de 1862, Manuel Teixeira Gomes, que teve uma carreira diplomática brilhante como Ministro em Londres e Delegado na Sociedade das Nações, acabando por ser eleito Presidente da República em 1923.
Antes disso, andou pelo mundo, como representante comercial, a vender os produtos agrícolas da sua família, em especial, amêndoas e figos.
Demitiu-se do cargo de Presidente da República em 1925, desgostoso com a desunião política, partindo para o exílio na Argélia, onde faleceu em 1941 sem nunca mais regressar a Portugal.
Hoje, totalmente restaurada, a casa serve como centro cultural e memorial e prepara-se para ser ampliada.
Evoca não só o político, mas também o talentoso escritor de obras como Carnaval Literário e Novelas Eróticas, consolidando-se como um espaço onde a história e as artes se encontram.







